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Wolf Eyes & Anthony Braxton

Anos antes da “memeificação” de John Olson como Inzane Johnny, do takeover ao Instagram da Third Man ou da cunhagem do termo Trip Metal enquanto género musical, mas já com 'Burned Mind' na Sub Pop, a união do (então) trio mais infame de Michigan ao (então) sexagenário saxofonista e compositor de Chicago causou o devido alvoroço, entre o espanto dessa inusitada sinergia e um certo sentimento de sintonia enviesada. Por alturas do lançamento de 'Black Vomit', registo único dessa parceria, em 2005, não estávamos ainda preparados mas existiam já sinais para o acontecimento: o free jazz e o noise enquanto espaços de manobra para o abismo ou o absoluto, o sopro livre e incendiário de Braxton, o conhecimento de Olson da história do jazz e o frémito do seu saxofone alto, um entendimento mútuo na gestão de silêncio e tumulto. Com praticamente duas décadas volvidas desde então, Braxton continua a desbravar terreno, quer no instrumento quer enquanto compositor, e os Wolf Eyes - agora reduzidos ao duo de Olson e Nate Young - continuam imperturbáveis a trilhar uma linguagem sua. Duas facções com papel fulcral nas músicas propaladas pelo OUT.FEST, aqui unidas pela incapacidade de adormecer à sombra da sua bravura artística.