Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro

Gosheven: Antipodal Polyphony

Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC)
20h45

Alias do húngaro Bálint Szabó, cuja música reflecte uma preocupação atenta e empática para com as problemáticas do pós-colonialismo e da etnomusicologia. Assente numa estratégia que o próprio refere como um processo de práticas de descolonização, a música de Gosheven baseia-se em sistemas de afinação fora dos cânones ocidentais e de “entoação pura” - just intonation - como forma de romper com a hegemonia ocidental, com plena consciência do dilema da aculturação inerente a estas práticas. Conhecedor profundo e respeitoso das histórias vividas de música vinda das mais diversos pontos geográficos e fontes sonoras – do cimbalom do seu país de origem ao koto japonês passando pela influência de Wendy Carlos ou La Monte Young - , Szabó recorre à guitarra e ao processamento electrónico para projectar temas de uma pulsação hipnótica tão tocante quanto nebulosa, sem pontos de entrada e saída definidos, que escapa ao campo minado do ambient formal mas reconhece as premissas bases de levitação e serenidade aí inscritas. Leaper, o seu álbum de estreia na Opal Tapes em 2017 foi revelador dessas louváveis intenções, continuadas com Bivaq em 2018 e vários registos auto-editados no ano transacto. Chegados a 2021 Gosheven apresenta-nos Antipodal Polyphony, obra inspirada no som das flautas do povo 'Are'are das Ilhas Salomão, numa dedicatória sentida a essa cultura em desaparecimento que irá ser aqui iluminada não só através da sua actuação como também de uma palestra. Momentos de partilha, integrados no âmbito do projecto Remaiin, que procura investigar a influência de culturas não-ocidentais na música experimental europeia.  

Concerto no âmbito do projecto

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